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simply put




24.2.06

A ausência se justifica pela total falta de coisas interessantes ou no mínimo agradáveis a se dizer, o que explica a ausência nos blogs amigos também. Vamos ver se o carnaval traz algo de novo...






9.2.06

Essa loucura de concurso público está me esvaziando por dentro. Só falo disso, só penso nisso e não consigo nem ao menos desenvolver a contento esse blog. O cansaço mental me impede de refletir sobre assuntos que tanto gosto de pensar sobre. Hoje mesmo, fui almoçar com duas queridas amigas e conversamos sobre um retiro espiritual que estou pensando em fazer, onde a pessoa passa 10 dias no mais absoluto silêncio. Tenho pensando se realmente eu seria capaz desse desafio. Mas o período de reflexão sobre isso não durou muito mais do que aqueles minutos do almoço. Depois já tive que redirecionar meus pensamentos para os direitos, matemáticas e portugueses da vida de um concurseiro. Mas agora à noite, quase como que por obrigação, abri a página do blogger para tentar desenvolver algo interessante e cá estou eu novamente falando de concurso...
Mas vamos lá! Por que o silêncio é tão temido? Por que existem silêncios constrangedores, quando a maior parte dos constrangimentos são na verdade causados pelas bobagens que falamos nas horas e para as pessoas erradas? É interessante pensar que nosso dia-a-dia é inundado de sons, barulhos e pessoas falando sem parar. A TV é muitas vezes onipresente ou então uma música tocando. É tão difícil assim permanecer em silêncio? E a palavra que deveria se calar e não o faz, causando às vezes discórdia, decepções, mágoas... Temos uma verdadeira compulsão por falar, ter sempre uma opinião sobre tudo, ter sempre uma palavra na ponta da língua para a situação. Os calados são tachados de esquisitos ou, no mínimo, de tímidos, e normalmente são mesmo porque o contrário é ser espirituoso, comunicativo, "simpático".
Acho que existem culturas que valorizam mais o silêncio do que a nossa. Imagino que os orientais em geral sejam assim, pode até ser uma visão estereotipada, mas é assim que me parece. De poucas palavras, eles parecem refletir mais antes de sair cuspindo um monte de frases como geralmente fazemos. Esse, aliás, é um exercício que venho praticando há alguns anos: pensar, refletir e ter cuidado antes de falar qualquer coisa que vem na cabeça. Ainda é difícil, mas já melhorei bastante.
Esse retiro, me pareceu muito interessante pelo desafio que é, não estou ainda preparada para enfrentá-lo, porém fiquei com bastante vontade de me preparar para encarar. Conheço uma pessoa que tem uma amiga que foi e disse que voltou outra pessoa. Realmente, passar 10 só consigo e com suas vozes interiores deve ser realmente uma experiência tranformadora.






1.2.06

Não é no Natal, não é no dia das crianças e muito menos na páscoa que eu tenho vontade de voltar a ser criança. É na época de volta às aulas. A expectativa do novo ano, novas matérias, rever os amiguinhos, mas sobretudo e principalmente, a época de comprar o material escolar! Eu simplesmente adorava pegar a lista e me enfiar nas papelarias, depois de fazer pesquisa de preços, claro, porque a "Sara-Salim" aqui sempre foi econômica. Até hoje eu amo papelaria, tem uma particularmente, no centro, que é o paraíso das papelarias, tem tudo de tudo, mas no meu tempo de escola eu ia mesmo era na Casa Mattos, que nem existe mais.
Depois de comprar os livros, cadernos, lápis, caneta, borracha, pilot, lápis de cor, cola colorida etc etc etc, tudo novinho, cheirosinho, lindo, lá ia eu toda feliz pra casa para, claro, encadernar tudo com aquele plástico quadriculado que era geralmente azul ou vermelho. Depois colocar a etiquetinha com meu nome e a nova série que eu iria cursar. Depois eu dava uma olhada nos livros para ter uma idéia do que eu iria aprender e ficava toda orgulhosa pensando em quanta coisa eu iria aprender naquele ano.
Chegava o dia! Banho tomado, uniforme passado, me arrumava toda, colocava tudo com muito cuidado e carinho na mochila e seguia feliz para mais um ano de muito aprendizado e diversão também. Bons tempos que não voltam, a não ser em momentos como esse que relembro com carinho de uma época tão especial.
Tenho muita pena das crianças que não aproveitam e não saboreiam a escola como deveriam. Fazem dessa experiência única um martírio de obrigações e chateações. Não se dão conta do quanto são preciosos os momentos em que estamos aprendendo coisas novas pois essa é uma das capacidades humanas mais incríveis e prazerosas. Nunca entendi o desleixo com cadernos e livros, meninos com o uniforme sujo, rasgado. Me orgulhava tanto de vestir o meu, por que eles não têm o mesmo cuidado?
É desde a infância que se ensina o amor aos livros e ao conhecimento, é na educação, desde os mais tenros anos que se constrói uma vida de sucesso e feliz e não me refiro só ao sucesso profissional, esse é o mais fácil de se conseguir. Eu tive a sorte e o privilégio de, desde cedo, aprender a gostar de aprender. Isso não é decorrente só de dinheiro, nem só de incentivo familiar. A história está cheia de exemplos como Machado de Assis, Juscelino Kubitschek, entre outros que, à primeira vista, não teriam perspectiva nenhuma de estudo e todos sabemos o que aconteceu.
É por isso que fico realmente muito triste quando vejo crianças de 11 anos que, mesmo freqüentando a escola, não sabem ler, ou aquelas que repetem de ano sistematicamente. Como fazer com que elas sejam atingidas pelo prazer de sentar e ler um livro, de entender, a cada dia, o mundo um pouco melhor do que no dia anterior? Pergunta difícil, mas que deve possuir alguma resposta, pois há não muitos anos atrás, as escolas eram escolas de fato e não as fábricas de preparação para o vestibular de um lado e as fábricas de despreparo para a vida de outro.