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23.8.06

É interessante ver como em certas sociedades existem rituais de passagem da criança para o adulto que são extremamente dolorosos e assutadores. Podem parecer sessões de tortura para nossos olhos, mas fazem sentido na cultura local e, pra falar a verdade, são mais reconfortantes. Isso porque depois daquele ritual, pronto: você já é um adulto, já faz parte da "tribo", dos guerreiros, das mulheres ou seja lá qual for o grupo. Não há dúvidas quanto a isso.
E na nossa sociedade? Quando somos adultos? Em que momento isso acontece? Aos 21 anos, na maioridade civil? Quando acabam os estudos? Eles podem durar quase que eternamente, graduação, mestrado, doutorado, pós-doutorado, MBAs... As possibilidades são muitas. Seria ter um emprego estável, família formada, contas pra pagar? Ou será que essas coisas fazem parte apenas de um "estilo" de vida que se escolheu? Confesso que morar com minha família até hoje me incomoda profundamente por um lado, mas por outro não é muito diferente de muitas pessoas que conheço, que têm quase 30 anos ou mais e ainda moram com os pais. Eu quero muito ter minha própria casa, meu dinheiro, minhas contas pra pagar (isso não dá pra evitar, infelizmente!), mas acho que não é nada disso que diz se sou ou não adulta.
Acho que ser adulta é muito mais ligado a uma maturidade emocional, de saber lidar com as situações e se adaptar a elas. E, principalmente, ser responsável pelas escolhas que se faz e encarar as conseqüências delas, sejam boas ou ruins. Saber abrir mão de certas coisas para se conseguir outras. Essa sabedoria é o que faz de alguém maduro ou não.
Portanto, apesar de pra gente não ter nenhum ritual do tipo, furar o nariz, ser pendurado por ganchos, sentar no formigueiro, a passagem pra nós é também muito dolorosa e uma dor mais excruciante, porque é lenta, gradual e subjetiva. É a dor de, aos poucos, se dar conta de que dali pra frente é você com você e mais ninguém. Mais ou menos como quando a leoa expulsa seus filhotes pra que possa procriar novamente. Só que lá a decisão não é dos leõezinhos...






11.8.06

As eleições estão chegando e com elas, vem toda a cobertura da mídia. Não que eu seja nenhuma expert no assunto, mas acho que a monografia de fim de faculdade que eu fiz ficou razoável. Baseada na Análise de Discurso, fiz uma análise da cobertura que o Jornal Nacional fez das últimas eleições de 2002. Apresentei em 2004, mas como o assunto está em pauta novamente, acho válido. Pra quem quiser e tiver saco de dar uma conferida... Aqui vai o link para baixar: Monografia. Pra quem não tá acostumado com o sistema do rapidshare, é só clicar em "free" e depois aguardar a contagem regressiva, que o download acontece.






10.8.06

Tô enrolada essa semana com um trabalho que peguei freela...
Então, uma historinha rápida que aconteceu de verdade.

Aeroporto de Salvador. Bahia. Lugar peculiar do Brasil.
Chamada no microfone para o próximo vôo:
- Vôo 3... 1... 5... 4... da... (pausa... silêncio...)
- Vôo 3... 1... 4... 5... da Tam... para... (pausa... silêncio...)
- Vôo 3... 1... 4... 5... da Tam... para... Récife... (pausa... silêncio...)
- Vôo 3... 1... 4... 5... da Tam... para... Maceió! Embarque no... pórtão 4... Rétificando... Rétificando...

E por falar em avião, novo slogan da TAM: Sempre de portas abertas para você!






4.8.06

Dica musical! Estou numa de descobrir sons novos, garimpar bandas. Tô cansada de ouvir sempre a mesma coisa. Portanto, aqui vão algumas dicas de bandas ou cantores que conheci recentemente e recomendo!

Iron & Wine - folk music de primeiríssima, sem muitas firulas e muita sutileza.
Psapp - Dupla de alemães que faz um som super criativo, cheio de camadas, muito bacana. Aposto que o Arnaldo Baptista iria se amarrar. Vocal feminino suave, lindo. Eles se definem como "the only band endorsed by felines (a única banda aprovada por felinos)"... Daí dá pra entender porque a identificação foi imediata!
Shrift - Banda inglesa com vocalista brasileira. Ela canta em inglês, português e francês, misturando não só as línguas mas também jazz, funk, eletrônica, samba...
The Arcade Fire - Mistura de Radiohead, Iggy Pop e David Bowie. Clima anos 80, meio esquisitão, maior viagem.
Tracy Bonham - Violão, violino e uma voz linda. Ouvi pouca coisa até agora mas já gostei muito.
Damien Rice - Esse é bem conhecido, mas só recentemente ouvi o disco dele todo. Clima totalmente fossa, mas necessário às vezes. Ouvir quando se quiser chorar.

E a garimpagem continua! Mais novidades em breve! E bom fim de semana pra todo mundo!!!

Ps: Pra não perder o clima musical amanhã vou no show no Ribalta do Cachorro Grande, Luxuria e Orquestra Imperial. Alguém mais vai? E o melhor: vou de graça! Thanks to Alternatilha!






2.8.06

Quando se atravessa a rua

Sentiu seu corpo todo estremecer quando seus olhares se cruzaram. Nunca tinha sentido nada parecido: um calor misturado a um arrepio na espinha e um embrulho no estômago, como aqueles que se sente na montanha russa. A conversa fluía em tom descontraído, mas naquele momento sentiu que ela não estava ali só para conversar. Não fugiu do olhar. Fitou-a por um segundo também, e disse muita coisa naquela troca visual. Um leve sorriso, meio nervoso, meio lascivo. Sentia que pela primeira vez estava agindo sem se reprimir, sem pensar em conseqüências. Aproveitava cada segundo, cada palavra. Se pensasse em alguma coisa, seria apenas no que poderia acontecer ainda naquela noite. Sabia bem o que estava fazendo ali. Já tinha desejado isso há muito tempo, já tinha previsto todas as possibilidades. Mas a realidade estava se mostrando bem menos difícil e muito mais agradável do que qualquer cena montada em sua cabeça. As pessoas à sua volta eram apenas corpos que se balançavam ao som da música que agora parecia distante. Sua atenção era totalmente voltada para aquela boca, aqueles olhos brilhantes, aquela pele macia. As poucas dúvidas que até o momento existiam deram lugar a uma única certeza: o desejo ardente de beijá-la. Um beijo inesquecível que lhe fez lacrimejar e sentir que finalmente havia chegado em casa.






1.8.06

O ciúme faz as pessoas fazerem ou pensarem coisas horríveis. Por que existem esses sentimentos de posse, insegurança, de medo? O que faz uma pessoa, antes tão tranqüila, começar a achar que não consegue viver sem a outra? É claro que consegue! É preciso que consiga!
Outro dia fui num show da Marisa Monte (excelente, por sinal) e ela falou uma coisa que eu não esperava ouvir dela, ali, naquela hora. É até mesmo um chavão, um lugar comum que todo mundo fala, fala, mas na hora do vamos ver, de colocar em prática mesmo, a história é bem diferente. Ela estava explicando como foi feita a música "Satisfeito", que era uma brincadeira com os versos do Tom Jobim ("é impossível ser feliz sozinho"). Na música dela e do Arnaldo Antunes, fala assim: "quem foi que disse que é impossível ser feliz sozinho / Vivo tranqüilo, a liberdade é quem me faz carinho". Daí ela disse que, apesar deles serem casados, eles acreditavam que era possível sim, ser feliz sozinho e, mais ainda, que era imprescindível ser feliz sozinho para aí sim se tentar ser feliz com alguém.
E como já dizia o grande poeta Khalil Gibran, "as cordas de uma lira estão sozinhas embora vibrem ao som da mesma música". É preciso aprender mesmo a tocar a mesma música, porque quando o ciúme bate, as notas saem distorcidas, desafinadas. E quando é essa música estranha que toca, começamos a acreditar em coisas igualmente estranhas e a nos agarrar a essas idéias.
É necessário sempre nos lembrar que a vida é uma caminhada solitária e que é preciso deixar que as pessoas caminhem ao nosso lado felizes e com prazer, para que essa estrada seja menos solitária. Continuando com Gibran, "o carvalho e o cipreste não crescem à sombra um do outro", e eu não sei qual seria o outro propósito de se estar junto com alguém, a não ser crescer ao lado dessa pessoa.
Muito tenho que aprender, muito tenho que crescer, mas com certeza quero que seja o amor e não o ciúme a guiar meus passos ao lado de quem amo.